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domingo, 1 de agosto de 2010

ENTREVISTA A CARLOS FAÍSCA - CRIADOR DE CANÁRIOS DE COR





Antes de mais queria agradecer ao amigo Carlos Faísca o facto de ter aceitado responder a este questionário, o objectivo é divulgar ainda mais todo o seu trabalho no mundo da Canaricultura. Esta será sem dúvida a entrevista mais difícil que tive para fazer, pois o amigo Faísca costuma colocar os seus pontos de vista no seu blog, mesmo assim penso que seja indispensável fazer tal entrevista.. Um muito obrigado por aceitar fazer a mesma.


1.
O amigo Carlos Faísca dispensa apresentação, pois neste mundo Ornitológico quase todos os criadores o conhecem, mesmo assim um breve apresentação será bem vinda. De onde vem este gosto pelo canários que o leva a dedicar tanto tempo as estas aves?

R: Sou um indivíduo normal, como tantos outros. A minha paixão desde míudo sempre foram os canários, como tal dedico quase todo o meu tempo livre a estas maravilhosas criaturas. Na medida do possível, tento sempre melhorar as suas condições ano após ano.





2.
Após ter sido campeão do Mundo em Castanho Pastel Vermelho Mosaico, qual a próxima meta que ambiciona alcançar?

R: Não tenho metas para alcançar, apenas pretendo formar um plantel de maneira que possa ombriar em qualquer exposição com os melhores. Sei que não é fácil conseguir o que pretendo, sabendo que para que isso um dia possa vir a acontecer, vou ter muito trabalho pela frente, e alguns anos de paciência, vamos ver se tenho capacidade para tal, porque falar é fácil, mas conseguir é muito mais difícil.


Este ano no Mundial de Matosinhos em Portugal consegui quase concretizar mais um dos meus sonhos, que é um dia conseguir obter num Mundial na mesma raça a dobradinha: medalha de ouro individual, e em equipas.
Fiz a dobradinha em castanhos opalas vermelho mosaico com um macho individual e uma equipa de fêmeas da mesma raça, mas com 2 medalhas de prata, e voltei a medalhar em castanho pastel vermelho mosaico desta vez com uma medalha de bronze, o que me deixou bastante contente, e me ajudou bastante a superar todos os problemas que me surgiram este ano durante as minhas criações.




3.
Que raças mais especificamente cria de momento? Está a pensar em adquirir novas raças no Futuro?

R: De momento sou criador da raça castanha, e o futuro a Deus pertence.

Não estou a pensar começar com raças novas, antes pelo contrário, talvez não no próximo ano, mas muito em breve vou acabar com uma das minhas, só não sei ainda qual. Aqui fica a raça e as mutações com que crio neste momento:

Castanho vermelho mosaico
Castanho amarelo mosaico
Castanho opala vermelho mosaico
Castanho opala amarelo mosaico
Castanho phaeo vermelho mosaico
Castanho phaeo amarelo mosaico
Castanho pastel vermelho mosaico



4.
Pelo que sei este ano criou com cerca de 145 casais, e acredito que não é nada fácil criar com tantos casais... Que conselhos dá a quem se queira aventurar a criar com tantos casais?

R: Quem sou eu para dar conselhos a alguém, posso transmitir apenas o meu ponto de vista, e cada um interpreta como achar ser melhor para si, porque cada caso é um caso.

No meu caso que trabalho uma média de 8h por dia, foi uma loucura passar de 80 casais, para 145 casais de um ano para o outro, embora tenha instalações para tal, o problema é que o meu tempo livre é exactamente o mesmo. A sorte é que a minha mulher me dá um apoio, prepara-me o germinado, e lava-me bebedouros e comedouros, senão não dava conta do recado.

Quem pensar criar com esta quantidade de casais, ou outra parecida e quer ter sucesso na sua criação, necessita de ter mais alguém com bastante tempo livre que o possa ajudar. Senão o melhor é nem sequer arriscar.



5.
Qual o principal motivo por criar a raça castanha em quase todas as mutações?

R: Quando comecei como quase todos os criadores iniciei-me com lipocromos, mas depressa me apercebi que a minha paixão eram os melânicos, com factor mosaico.


Gosto praticamente de quase todas as raças de canários melânicos c/ o factor mosaico. Depois de acabar com os lipocromos, adquiri a raça ágata, a castanha, e a alguns Isabeis (todos homozigóticos) mais conhecidos por clássicos, e algumas das suas mutações: opala, pastel, topázio, e satiné, tanto c/factor, como sem factor.

Cheguei á conclusão que a raça castanha é mais robusta, de mais confiança, fácil de trabalhar , e de longe a melhor reprodutora.

A seguir aos lipocromos talvez a melhor opção para quem se vai iniciar neste hobbie.

Depois de vários anos a criar com ambas as raças, e de ter obtido prémios com todas elas, acabei por optar pela raça castanha, á qual dedico todo o meu tempo, sabendo que não podia ter sucesso a nível Internacional em todas elas, penso que fiz a melhor opção.

É por isso que recomendo que se iniciem com poucas raças, e se puderem com 3 casais da mesma raça para terem sucesso a curto prazo.

6.
Uma questão sobre o Mundial de Ornitologia impõem-se nesta entrevista, pois é um criador assíduo tanto em Mundiais com Internacionais em Portugal e no estrangeiro, participando nas competições mais importantes da área.. Como classificou a Organização do nosso Mundial?

R: Não tenho participado assim tanto como pensam, nem como o deveria ter feito, também por estar longe, e não ter sido incentivado, mas espero a partir de agora não só participar, como também visitar.
Em Portugal participei apenas em 3 Nacionais e 2 Internacionais. Estive no Nacional de Beja em 2005, onde obtive 9 prémios.
No Nacional de Famalicão em 2007, onde obtive 13 prémios, e no Nacional de Paços de Ferreira em 2008, onde obtive 20 prémios.
Participei no Internacional Atlântico de 2008 na cidade de Caminha, tendo obtido 27 prémios, e no Internacional Atlântico de 2009, na cidade de Barcelos obtendo 26 prémios, em todos eles obtive mais medalhas de ouro.
Participei pela 1ªvez num Mundial em 2008 na Bélgica, e no ano seguinte mandei 3 equipas ao Mundial de Itália, mas este ano foi a 1ªvez que visitei um Mundial.
O ano passado participei e visitei pela minha 1ªvez, o Internacional de Reggio Emilia em Itália, e este ano estou a pensar visita-lo novamente ( já tenho os bilhetes de avião e o hotel reservados), vou com mais 3 amigos.
A organização do Mundial de Matosinhos, no meu parecer esteve bastante boa. Em todas as provas que participei no Norte, tenho reparado que as organizações são de um enorme profissionalismo.



7.
Agora fugindo um pouco ao assunto, e nos focalizarmos nas criações..

Este ano apesar de ter tido um percalço no inicio das suas criações conseguir dar a volta por cima conseguido criar com sucesso bastantes aves. O que é fundamental para levantar a cabeça perante grandes desilusões?

R: Acreditarmos em nós próprios, ter paixão, e principalmente termos um plantel que possamos contar com ele. E sobretudo procurar a sorte em todos os momentos, mesmo naqueles em que as lágrimas nos caiam, sem sabermos o que fazer, nem como dar a volta a uma situação praticamente perdida.
Nunca desistam dos vossos sonhos.

8.
Como organiza os seus acasalamentos: Acasalamentos de "trabalho" e concurso? Ou apenas concurso?

R: Escolho as minhas fêmeas assim que acaba a muda, os machos tenho tempo. Acasalo como penso ser a melhor opção dentro dos meus limites, mas por norma faço sempre algumas alterações durante as criações.

9.
Como escolhe os seus reprodutores baseando-se no fenótipo ou genótipo?

R: Depende das situações, mas por norma escolho primeiro aqueles que á prior me vão dar mais garantias nas exposições, sem olhar aos registos.
Só depois de os ter escolhido é que aponto os nº das anilhas e vejo de quem são filhos.
Na altura de escolher os meus reprodutores tenho sempre em conta o genotipo para não haver enganos.




Agora falando do alojamento das nossas aves:

10.
As suas baterias de criação e voadeiras têm que dimensões?

R: Os viveiros 60 cm de comp x 33 cm de fundo x 30 cm alt.
As minhas voadeiras tem 120 cm x 50 cm x 50 cm.



11.
Concorda que um canaril com condições é grande passo para o sucesso das criações e exposições?

R: Ajuda muito.



12.
Como aconselha o alojamento dos canários? Interior ou exterior? Porquê?

R: Interior sem dúvida.
Devido á grande amplitude térmica em algumas regiões, sendo mais fácil de ultrapassar, ou minimizar todos os problemas que possam surgir durante e após as criações.



13.
Como é que se prepara para uma exposição? Com quanto tempo se começa a preparar, isolando aves etc..?

R: Não tenho regra para preparar os meus canários para expor.
Este ano como tenho férias na 1ªquinzena de Setembro vou lavar e desinfectar o meu canaril de criação, para logo de seguida começar a separar individualmente nos meus 145 viveiros, os canários que eu achar fazerem alguma diferença dos outros, para os preparar para as 3 exposições que penso participar este ano.
Nacional de Portugal, Internacional de Reggio Emilia em Itália e o Mundial de Tours em França.

14.
O que considera, acima de tudo mais importante neste hobby?

R: Gostar muito disto, para conseguirmos dar a volta a N de situações que nos vão surgindo no nosso dia a dia de criadores. O tempo que temos disponível para os nossos canários.

15.
Usa nos acasalamentos casais certos, ou utiliza um macho para várias fêmeas?

R: De uma maneira e de outra, depende das situações, e dos canários que ficaram em casa para a reprodução. O ideal são os casais certos, mas por vezes nem sempre isso é possível.


Falando agora no ramo da alimentação e tratamentos:

16.
Que tipo de mistura usa? Só alpista ou uma mistura preparada de acordo com as necessidades e época dos seus canários?

R: Dou só alpista todo o ano. Quanto aos tratamentos, tenho de me adaptar com as diferentes situações que me vão aparecendo no meu dia a dia, e tentar melhorar ano após anos, e de preferência não cometer os mesmos erros de anos anteriores.

17.
Fornece germinado as suas aves? Sempre ou só na criação?

R: Todo o ano.

18.
Que tratamento considera fundamental fazer todos os anos? Ou melhor ainda, será necessário fazer um tratamento anual, mesmo sem doença aparente?

R: Já não sei que vos diga, se é melhor fazer um tratamento preventivo, ou apenas actuarmos depois de detectarmos algum problema.
Penso que temos sim de fazer uma quarentena a todas as aves adquiridas e que tenhamos levado a concorrer.
Quase todos os tratamentos são fundamentais, mas não podemos dar tudo o que nos dizem aos nossos canários. O ideal seria uns meses antes de acasalar levar alguns dos nossos canários a analisar a um veterinário de confiança, para ficarmos a saber qual, ou quais os problemas que temos nos nossos canários, para assim os podermos medicar convenientemente.

19.
Que suplementos considera fundamentais? Adicionados a papa ou agua?

R: Um bom probiotico e calcio.
Eu por norma misturo quase tudo na papa, mas também dou vinagre de sidra na água.

20.
No meu ponto de vista o registo do plantel é um passo para o sucesso da evolução dos descendentes.
Que tem a dizer a cerca do registo do plantel desde o nascimento aos concursos para ter em conta os Futuros acasalamentos?

R:Tudo é importante, convem registar-mos o melhor possível os nossos canários para a continuação do nosso plantel, e para que no futuro possamos tirar duvidas sobre a descendência deste ou daquele canário que queremos ficar para a nossa reprodução.

21.
Muita gente critica a qualidade das aves Portuguesas.. Mas depois destes últimos resultados no Mundial penso que muitas mentes já mudaram..

Como classifica a ornitologia em Portugal?

R: A ornitologia portuguesa melhorou bastante nos últimos anos, mas ainda temos algumas lacunas. Ainda temos muito que melhorar e investir, tanto a nível de instalações, como de aves, assim como os nossos conhecimentos gerais sobre este hobbie.
Os clubes tem de apoiar mais os sócios, principalmente todos aqueles que se estão a iniciar.

22.
Recentemente legalizaram em Portugal a Fauna Europeia, sei que á muitos anos atrás foi criador de Fauna (híbridos), e deve ter uma opinião formalizada á cerca deste assunto. Concorda com esta nova legislação? Gostaria de ser criador se algumas coisas mudassem?

R: Não estou bem a par de todos os pormenores, mas concordo com a legalização, mas não com tanta burocracia, nem com os valores necessários para estar legal.
Só devia de criar Fauna, quem tivesse condições para isso.
Se um dia tiver espaço, ainda tenho esperanças de um dia vir a criar pintassilgos de mutação.

23.
Qual o seu principal objectivo na Ornitologia em geral?

R: Ter qualidade suficiente no meu plantel para poder participar todos os anos nos melhores eventos, conseguindo também obter algum prémio.



24.
Após ter dado este enorme contributo, coloco-lhe uma última questão:

Qual é a regra de ouro para quem se inicia neste hobby?

R: Gostar, ter algum espaço, tempo livre, visitar foruns, e visitar alguns blogs de criadores que tem alguma experiencia de criação.
Devem começar no mínimo com 2 casais, e de preferência da mesma raça. É preferível começarem com poucos e de alguma qualidade, do que com muitos e de pouca qualidade, porque dão o mesmo trabalho e despesa.


Agradeço novamente este enorme contributo e desejo-lhe muita sorte para as exposições.. Boa sorte..

Entrevistador: Nuno Carvalho

Entrevistado: Carlos Faísca

Fotografia: Carlos Faísca

Cumprimentos,
Nuno Carvalho

sábado, 5 de junho de 2010

ENTREVISTA A GONÇALO FERREIRA (PAI E FILHO) - CRIADOR DE CANÁRIOS DE COR E PORTE

Antes de mais queria-lhe agradecer á família Ferreira o facto de ter aceitado responder a este questionário, o objectivo é divulgar todo o trabalho no mundo da Canaricultura. 

1. 
Para iniciar o que nos pode dizer acerca de si (Porta-voz da Família Ferreira)? (Breve apresentação). 

R: Somos pai ( Ant. Ferreira e filho ( Gonçalo Ferreira ), temos o nosso canaril em Tondela / Viseu, e criamos canários desde 1982, quando o meu pai adquiriu o primeiro casal. 



2. 
Por vezes não conseguimos explicar certas coisas, mas de onde vem este seu gosto por aves, neste caso canários? E o porquê de serem canários de Porte e cor? 

R: Não consigo explicar, porque o mesmo funde-se com a minha existência. Em 1982 tinha somente 5 anos, pelo que, nas minhas recordações o canário esta sempre presente. Desde o inicio sempre foram canários de cor, só mais recentemente o Porte, desde 2006. Ambos, porque ambos tem desafios diferentes e muito aliciantes. 

3. 
Que raças mais especificamente cria de momento? 

R: Em Cor: Lipocromo Vermelho Mosaico e Isabel Vermelho Mosaico, em Porte Gloster Fancy e Arlequim Português. 

4. 
Com quantos casais criou a época passada, e quantos está a criar na Presente época? 

R: 32 casais. 

5. 
Segundo o que escreve no seu blog, tem um gosto especial pelos Gloster Fancy ..O que lhe cativa mais nessa raça? 

R:O Gloster Fancy tem um espaço muito especial efetivamente. O grande entusiasta do Gloster Fancy foi o meu pai, que já tinha desde há uns anos um gosto particular pela raça. Sempre olharei mais para raças de Cor descurando as raças de Porte, mas este gosto, este prazer do meu pai, contagiou-me com os anos. Após adquirirmos os primeiros casais, conhecermos alguns criadores (alguns dos melhores em Portugal), compreendemos o “mundo” dos Glosters, a raça, a criação, a forma de estar, as exposições que são um exemplo (nomeadamente aquelas realizadas como no IGBA): Fiquei igualmente um entusiasta da raça e deste “mundo.” Como o Gloster Fancy já existe há muito, muito tempo, a sua evolução como raça e organização podem e devem ser um exemplo para outras. O Porte tem este prazer diferente, singular e mais intenso, da forma, da postura, do tamanho, não melhor ou pior do que em Cor, somente, diferente. 



6. 
Um dos grandes momentos do Campeonato Matosinhos 2010 foi a aprovação final e definitiva do canário Arlequim Português. Sei que tem uma opinião muito formalizada a cerca deste assunto. Para si o que terá/devia mudar, e o que está a dar-lhe mais prazer fazer com esta raça? 

R: Duas notas de rodapé antes de responder Nuno. 

Primeira Nota: a minha opinião sobre o Arlequim Português já não é de agora (2010), mas já desde 2006, quando começamos a criar Arlequim Português. Por uma questão principio e para de não criar confusão, duvidas, “ruído de informação”, “dificuldades de comunicação”, entre os criadores, não a manifestei em publico, somente em círculos mais fechados e de amigos. Sempre pensei ser necessário que todos estivessem focados na aprovação da raça com o Standard que existe, e que tinha sido nessa data alterado recentemente para fazer evoluir o canário, abandonando ideias que se verificaram não ter a melhor aplicabilidade e impossibilitavam a aprovação da raça. 

Segunda Nota: esta é a minha opinião, a minha opinião, e pretendo com ela deixar um contributo para que se abra uma discussão educada, com elevação, com respeito pela opinião individual de cada um, sobre o Arlequim Português e o seu futuro, agora que aprovado. Porque depois de cada aprovação, o Standard tem de estar inalterado durante 5 anos. Este é o tempo que temos para discutir e propor eventualmente alguma alteração. Tento sustentar a minha opinião com os argumentos tangíveis, quer por observação, quer por comparação, quer de forma científica, quer por convicção. 

Agora a minha resposta: 

Primeira parte da questão - O Arlequim começou de forma diferente do que é hoje, fruto das alterações introduzidas no Standard. Entre outras, passou de um Canário de Cor para ser um Canário de Porte, de ter a obrigação de ter Seis Cores para Multicolor, de 14 cm para 16 cm, etc. Manteve no entanto outras, como o de ser um Canário Equilibradamente Variegado, etc. 

É no ponto do “Canário Equilibradamente Variegado” que não concordo. Apesar de respeitar o que existe, de ter a capacidade de me adaptar ao Standard, posso discordar, posso e devo com sentido de dever manifestar a minha opinião, o meu ponto de vista e de lutar por aquilo que penso ser um melhor para o futuro da raça, mesmo que nunca se venha a verificar. 

Existem várias raças de porte homologadas, algumas com dezenas de anos de homologação, que aceitam canários Lipocromos, Melanicos e Variegados em simultâneo. Por exemplo os Fafe Fancy, os Gloster Fancy, os Irish Fancy, entre outros, e nestes nunca foi possível fixar a melanina no lipocromo ou vice-versa. Os resultados da mistura de lipocromo com a melanina são imprevisíveis, e de um cruzamento de aves com estas carateristicas em simultâneo, nasce de tudo, entenda-se, Canários Variegados “Equilibrado” ( onde o lipocromo e a melanina ocupam de forma equilibrada as penas da ave ), nascem Canários Variegados Negro ( onde as melaninas tem uma predominância sobre o lipocromo ) e Canários Variegados Claro ( onde o lipocromo tem uma predominância sobre a melanina ). Nasce de tudo, e todos são aceites. 

No Arlequim Português, nasce igualmente de tudo, é uma questão genética, mas só são considerados os que nascem “Equilibradamente Variegados”, que representam sensivelmente 25% a 30% dos descendentes, ou seja, só estes conforme o Standard podem ser presentes a concurso, devem ser considerados, e os outros “lixo”!? Só servem para reprodutores!? Para criarem Variegados!? 

Esta restrição, esta limitação é possível, como é possível (hipoteticamente) num futuro só os Gloster Fancy Canela possam ser presentes a concurso, basta alterar o Standard. Mas faz sentido? Faz sentido criar uma raça onde só tão poucos podem ser considerados? 

O que perspectivo num futuro próximo, é a “queda” no Standard do “Equilibradamente Variegado”, para passar a ser somente Variegado, onde toda a descendência possa ser um potencial candidato a estar num concurso, como nas raças que referi, sem exclusões. 

Existem muitos, nos excluídos Variegados Negros e Variegados Claros, que em Porte, Postura e Tamanho, são melhores, alguns muito melhores que muitos campeões dos Equilibradamente Variegados! 

Depois temos dois caminhos, o primeiro onde todos concorrem com todos, são variegados, ou o segundo, o que defendo, a criação de classes por variegado como acontece nos Gloster Fancy (usando a classificação por % de lipocromo ou melaninas), os Variegados Equilibrados com os Variegados Equilibrados, os Variegados Negros com os Variegados Negros e os Variegados Claros com os Variegados Claros. 

Para além de pensar que todos são Arlequim Português, têm de o ser na prática, no Standard, não só na teoria! 

Depois existe esta enorme contradição, nos Concursos e no Mundial isso também aconteceu, para além dos ditos “Equilibradamente Variegados” aparecem os Variegados Negros e os Variegados Claros. Se já aparecem, é só uma questão de bom senso e alterar. 

E temos ainda outra, O que é um “Equilibradamente Variegado”??? 

Um Canário simétrico (a direita refletida na esquerda e obtém-se um equilíbrio?) 

Um Canário onde as melaninas e o lipocromo estão “espalhados” na ave nas mesma proporções??? 

Ou ainda, para além de estarem “espalhadas” nas mesmas proporções tem de ser de forma simétrica??? 

É uma enorme ambiguidade o Standard do Canário neste ponto, que pode acabar de forma simples, com esta igualmente simples alteração. 

E verifique-se, sempre a falar na cor, e mais cor, e cor, e mais cor, num Canário de Porte! Isto deve-se ao fato de ter sido apresentado como um canário de Cor, onde o Variegado Equilibrado tinha uma importância enorme e continua a ter. 

Continua a ter, porque ficamos reféns da sorte para saber com que cor vai nascer um Canário de Porte, para sabermos se eventualmente podemos ou não levar um exemplar a concurso... 

Não devemos confundir um Arlequim Português Ideal, que deve ser a nossa utopia, porque é aqui que atingem o seu máximo esplendor em beleza de cor, como o fato de terem de ser todos assim, quando geneticamente não é possível. 

Imagina uma exposição, onde todos os Arlequim Português possam estar presentes, onde o Porte, a Postura, o Tamanho ganhem a dimensão que têm de ter, sem prejuízo pela Cor. 

Tenho para comigo e não estou errado, que um Arlequim Português só pode ser distinguido de um Vulgo “Pinto”, de um Vulgo “Malhado”, pelo Porte, pela Postura, pelo Tamanho, nunca pela Cor! 

Quando isso acontecer, todos vão estar fixados nestas três caraterísticas que referi e a Cor será uma consequência do que é imprevisível. Será possível então, observar um crescimento rápido e sustentado da raça. É a minha opinião, é a minha convicção. 

Uma outra alteração, seria a inclusão de um tamanho mínimo obrigatório, de 15 cm para as aves em concurso e abaixo disso seriam desclassificadas ou não julgadas. 

Segunda parte da questão - O maior prazer é desenvolver a raça pelo Porte, pela Postura e pelo Tamanho. Quando fazemos os nossos casais, é a pensar nisto, e só nisto, nunca na Cor. Essa, o que vier é ganho, porque é imprevisível! 

Eu para ter um “malhado” não preciso de ter Arlequim Português, basta juntar um Lipocromo a um Melanico e lá nascem um conjunto de pintos malhados, fácil! 

O prazer é de ano para ano ter um plantel cada vez mais equilibrado nestes pontos (Porte, Postura e Tamanho), e saber que em breve, toda a descendência terá estas caraterísticas. 




7. 
Agora fugindo um pouco ao assunto, e nos focalizarmos nas criações.. 

Para si, qual será o momento ideal para juntar os casais? Devemos apressar-nos ou esperar por temperaturas, ditas ideais, que ajudem os progenitores na árdua tarefa da criação? 

R: Vários fatores. Se temos um plantel composto por aves que podem criar a partir de um determinado momento no tempo, por exemplo, em Janeiro e desde que o nosso canaril reúna as condições necessárias, como Luz, Temperatura, Humidade, etc, podemos começar. É somente uma questão de opção. Alguns destes fatores poder ser influenciados pela zona do pais onde temos as nossas aves, pela simples opção de gerirmos as nossas criações, etc. Acima de tudo, desde que reunidas as condições “mínimas” e com possibilidade de manutenção exigidas para criação. 

8. 
Uma das coisas que me fascinou foi o enorme sucesso das suas criações.. Conseguindo com apenas 3 posturas em alguns casais cercas de 10 ou 11 crias.. Esse sucesso deve-se a uma boa preparação para a reprodução? 

R: Tenho por habito fazer a seguinte comparação: os canários são como as pessoas, existem pessoas mais tímidas e outras mais extrovertidas, umas mais empenhadas outras menos, umas que inovam e com visão de futuro outras “paradas no tempo”, etc. Temos de saber entender cada canário como um indivíduo e potenciar o que de melhor ele tem. Nem sempre é possível porque não conseguimos analisar todas as variáveis, mas se o potencial existe, devemos ajudar a desenvolve-lo. Alguns desses fatores podemos controlar: como a alimentação e as vitaminas entre outros, onde a escolha depende de nós e a forma como os facultamos as nossas aves. Os casais que escolhemos para cruzar (devemos observar os comportamentos antes e durante a criação) para entendermos se é melhor fazer algum ajuste, como retirar ou substituir o macho, entre outros. Podemos retirar os ovos e potenciar um nascimento em simultâneo dos filhotes, prevenido que algum possa ficar para trás, etc.,. 



9. 
Escolhe os seus reprodutores baseando-se no fenótipo ou genótipo? 

R: Excelente questão, uma observável outra não. Acima de tudo, quando não são meus, confiar na linhagem do criador, que o que observamos possa ser o património genético que procuramos, porque na nossa linhagem temos a capacidade de efetuar essa análise em simultâneo. 

10. 
Agora falando do alojamento das nossas aves: 

As suas baterias de criação e voadeiras têm que dimensões? 

R: As de criação e por casal, cumprimento 51 cm, altura 35 cm, profundidade 40 cm. As voadeiras, cumprimento, altura e profundidade 90 cm, mas como são em módulos de 2, podem ter de cumprimento 1 m e 80 cm. 

11. 
Concorda que um canaril com condições é grande passo para o sucesso das criações e exposições? 

R: Pode ajudar, pode potenciar, pode muito, mas não é só por ai. Conheço grandes campeões, grandes porque repetem ano após ano prémios de relevo, onde o canaril não é o espaço que todos imaginamos, mas o possível, e o sucesso continua presente. O ideal quando possível, é fazer evoluir o canaril, como fazemos evoluir o nosso plantel. 

12. 
Como aconselha o alojamento dos canários? Interior ou exterior? Porquê? 

R: Uma questão acima de tudo de possibilidades. Se possível em interior, porque podemos “controlar” melhor um conjunto de variáveis e proporcionar as aves melhores condições de bem-estar e criação. 

13. 
Como é que se prepara para uma exposição? Com quanto tempo se começa a preparar, isolando aves etc..? 

R: No momento em que passam para a voadeira. Começamos a observação; facultamos uma gaiola de exposição que é colocada com ligação direta á voadeira para que a possam frequentar quando desejarem. Mas essencialmente, a partir de meados de Setembro, quando já escolhemos os potenciais participantes e começam a estar alguns períodos nas gaiolas de exposição, e depois com especial incidência na semana que antecede a exposição. Também já tivemos casos, em que passaram diretamente da voadeira para a gaiola de exposição e com resultados iguais aos que já as frequentavam. Muito da adaptação à gaiola depende igualmente do temperamento da ave. 



14. 
O que considera, acima de tudo mais importante neste hobby? 

R: Os conhecimentos humanos que vamos fazendo ao longo dos anos e as amizades que vamos construindo. Para além do gosto, do prazer que a criação nos proporciona, do gosto próprio de conquistar prémios como forma de reconhecimento dos sacrifícios e do trabalho que desenvolvemos, são as pessoas. Quando as reencontramos nas exposições, nos convívios proporcionados pelos clubes, nos seus espaços de criação e com os anos, nas suas e na nossa casa, como amigos. É aqui, que as partilhas dos sucessos e das dificuldades acontecem verdadeiramente, com os amigos, esse é sem duvida o melhor de tudo, o mais importante. 

15. 
Todos nos temos algum hábito que não abdicamos na ornitologia, por vezes esse hábito nem tem uma influência directa no sucesso das nossas aves, mas não abdicamos dele de maneira alguma. Possui algum hábito que não abdique realmente? 

R: Sim, o de observar o comportamento da aves. Como já referi, as aves são como as pessoas e alguns comportamentos são um padrão e indicadores do que pode acontecer. Na grande maioria das vezes acontece. Perceber o comportamento das aves permite-nos antecipar problemas, evitando-os ou potenciar qualidades inatas, essencialmente de criação. 

16. 
Falando agora no ramo da alimentação e tratamentos: 

Que tipo de mistura usa? Só alpista ou uma mistura preparada de acordo com as necessidades e época dos seus canários? 

R: Versele laga que vario em função da época ou de um objetivo individual de cada ave num determinado momento. 

17. 
Fornece germinado as suas aves? Sempre ou só na criação? 

R: Não, nunca. Já usei, mas desde 2007 que uso outros como alternativa. Foi uma questão de opção, porque o germinado funciona igualmente muito bem. 

18. 
Que tratamento considera fundamental fazer todos os anos? 

R: Questão complexa! Essencialmente prevenção. Proporcionar uma excelente higiene é de extrema importância, porque evitamos muitos problemazitos que podem mais tarde serem grandes problemas. A gota nas aves para evitar ácaros ou piolho sempre. Uma boa prevenção contra as salmonelas e fungos, que podem aparecer facilmente se não tivermos alguns cuidados. 




19. 
Que suplementos considera fundamentais? Adicionados a papa ou agua? 

R: Usamos nas papas por opção, por ser mais fácil gerir desta forma. Não dispensamos aqueles que ajudam na digestão e na regulação da flora do aparelho digestivo, permitindo à ave obter o equilíbrio necessário. 

20. 
No meu ponto de vista o registo do plantel é um passo para o sucesso da evolução dos descendentes. 

Que tem a dizer a cerca do registo do plantel desde o nascimento aos concursos? 

R: Importante, muito importante. Numa outra questão, falas do fenótipo ou genótipo. Quando referi que na nossa linhagem temos a capacidade de efetuar a análise em simultâneo, é porque usamos e não abdicamos dos registos. Esta é sem duvida uma feramente incontrolável na gestão do plantel, na “construção” dos casais, mais que nos concursos. 

21. 
Muita gente critica a qualidade das aves Portuguesas.. Mas depois destes últimos resultados no Mundial penso que muitas mentes já mudaram.. 

Como classifica a ornitologia em Portugal? 

R: Vamos criar uma escala para nos situarmos melhor. Vamos usar de 0 a 20, penso que estamos com um 15. Porque? Se comparamos com o Mundial de 2001 realizado igualmente em Portugal, com este de 2010, o salto foi brutal, muito grande. Em muito contribui o acesso rápido e fácil à informação, a facilidade de irmos a outros países adquirir aves diretamente. No entanto há coisas que não mudam com a mesma velocidade, só porque temos Internet ou voos low cost, ou facilidade para isto ou aquilo. Há coisas que são estruturais na nossa cultura, do nosso país e aqui, ainda falta por contra ponto, muito. Estamos desequilibrados. Evoluímos nas aves, mas nas estruturas e nas mentalidades estamos ainda aquém deste salto. Quando conseguirmos esse equilíbrio, (dou um exemplo: a realização dos Campeonatos Internacionais, que é para nós o futuro daquilo que se procura num Campeonato Ornitológico), vamos estar ao mais alto nível, talvez com uma classificação de 18+). A Competitividade, a qualidade dos Campeonatos tem depois este reflexo positivo na Qualidade das aves. 

22. 
Recentemente legalizaram em Portugal a Fauna Europeia, apesar da família Ferreira não criar Fauna, deve ter uma opinião formalizada á cerca deste assunto.. Concorda com esta nova legislação? Gostaria de ser criador se algumas coisas mudassem? 

R: Se um dia, as coisas forem a sério e não só para entreter, vamos de certeza criar. Entretidos andamos todos com muitas coisitas neste Portugal, e esta é mais uma para entreter. Foi um passo, uma vitória, mas pequena e associada ao Mundial. Devemos ter um objetivo, depois traçar um rumo para o alcançar e promover acções que permitam esse sucesso. Num futuro curto, devemos ter uma legislação como a que existe em Espanha, onde existe toda uma cultura que envolve a criação de Fauna Silvestre, e ai sim, podemos falar doutra forma. 

23. 
Qual o seu principal objectivo na Ornitologia em geral? 

R:O grande objetivo, mesmo que árduo, será ser campeão do mundo nas raças que crio, por ser o patamar maior que podemos alcançar em concurso. O grande prazer é outro. Ter a sorte de me deparar com uma nova mutação, conseguir fixa-la e apresentar uma nova raça. 



24. 
Após ter dado este enorme contributo, coloco-lhe uma última questão: 

Qual é a regra de ouro para quem se inicia neste hobby? 

R: Uma regra dividida em três partes: 

Primeira - Sorte - Sorte com os criadores onde compram as primeiras aves. Serão destes que vão ter os primeiros conselhos, as primeiras orientações, ou não. 

Segunda - Capacidade de dizer Não - Se não gostam do feedback que estão a ter, das aves que vêm, se duvidas existem, não comprem! Agradeçam a disponibilidade e voltem para casa, porque não existe obrigação de comprar. Por vezes quem comprar é que sente assim e depois do erro cometido, nada a fazer. 

Terceira: Paciência e Persistência - o caminho é cansativo, por vezes duro, mas o retorno muito gratificante. “ O caminho faz-se caminhando” 


Agradeço novamente este enorme contributo e desejo-lhe muita sorte para as exposições.. Boa sorte.. 

Entrevistador: Nuno Carvalho

Entrevistado: Gonçalo Ferreira


Fotografia: Gonçalo Ferreira

Cumprimentos, 

Nuno Carvalho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ENTREVISTA A JOAQUIM CUNHA - CRIADOR DE CANÁRIOS DE COR - JUIZ NACIONAL E INTERNACIONAL - VICE PRESIDENTE DO COLÉGIO NACIONAL DE JUIZES


Antes de mais queria-lhe agradecer o facto de ter aceitado responder a este questionário, o objectivo é divulgar o seu trabalho assim como ajudar os mais jovens nesta arte tão relaxante.. 


1.
Para iniciar o que nos pode dizer acerca de si? (Breve apresentação). 

R: Visita mais uma vez o meu blog. http://canarilcunhadebraga.blogspot.com/

2.
Por vezes não conseguimos explicar certas coisas, mas de onde vem este seu gosto por aves, neste caso canários? E o porquê de serem canários de cor? 

R: Vai dar para rir.

Sempre gostei de animais, tive imensos aquários ( + de 30 ) e criei muitas variedades de peixes, só que na altura não estava a aquariofilia tão avançada ( + de 25 anos ) e até que um dia ( mês de ferias, Agosto, pessoas soltam os animais para ir de ferias, a história…) o meu gato apanhou um canário e não o matou…. . A minha Mãe não o queria pois o meu Avô tinha um e quando faleceu o canário também morreu, daí essa aversão aos canários. Consegui dar a volta ao “texto” e a primeira acção foi comprar uma gaiola e de seguida ir a uma Livraria comprar um livro sobre canários. Comprei uns quantos e li-os todos em poucos dias.

Daí o começo põe este hobby.

Quanto a criar canários de cor em vez de porte deve-se a uma só razão, não se pode ter tudo e como tal acho a canaricultura de cor mais atractiva que a de porte. Houve alturas em que criava os dois tipos, mas as papas tem que ser diferentes, assim como as gaiolas de muda e muito mais e por tal optei pela cor


3.
Sei que cria bastantes raças de canários, algumas delas ainda em estudo, outras aprovadas muito recentemente.. Que raças mais especificamente cria de momento? 

R: Todas as que tenho no meu Blog.

4.
Com quantos casais criou a época passada, e quantos está a criar na Presente época? 

R: Não casais, tenho 80 gaiolas, dá para ver. Faço uma media 120 acasalamentos. 

5.
Após uma conversa que tivemos no colóquio que se realizou na sede do COP, expressou-se como criador da mutação Jaspe.. Mutação que eu admiro.. 
Sendo Juiz Nacional e Internacional, assim como vice-presidente do colégio nacional de juízes, e não só, que expectativa tem em relação a esta mutação? 

R: Ainda não tenho uma opinião definitiva, gosto do Negro e do Ágata em simples diluição. Pelo que vejo não sou fá da dupla diluição, a ver vamos no futuro com o aperfeiçoamento. Na minha maneira de ver e pelo que falei e constatei o problema è fixar as características nas remiges e retrizes. Quanto ao desenho è questão de aperfeiçoamento.

Quanto aos castanhos confesso que os que eu vi não me cativaram.

Mais, acho importante como Juiz conhecer todas as aves e ter conhecimento das mesmas 

6.
Agora fugindo um pouco ao assunto, e nos focalizarmos nas criações.. 
Para si, qual será o momento ideal para juntar os casais? Devemos apressar-nos ou esperar por temperaturas, ditas ideais, que ajudem os progenitores na árdua tarefa da criação? 

R: Acabei de juntar ontem de tarde (Sábado 3 de Abril) e ainda não tenho aves nascidas.

Foi um Inverno duro e prolongado e a Primavera está-se a ver.

Eu vou acasalando aos poucos e quando as fêmeas estão prontas assim como os machos, não gosto de os forçar.

Mais, o meu viveiro está num sitio frio, portanto… 

7.
Muitos criadores, eu inclusive, estão com um início frustrante nestas criações de 2010, desde mortes embrionárias ao abandono da postura e crias..
Sendo o amigo Joaquim criador à mais de 30 anos, e podendo assim fazer uma comparação, como associa este tipo de “fracassos”, será a temperatura, ou é normal tal acontecer na primeira postura? 

R: Confesso que não me lembro de eu ter uma fêmea que tenha abandonado o ninho. APRENDI QUE A PRESSA NÃO È BOA CONSELHEIRA.

Para mim a primeira postura tem sido a melhor.

Quanto aos “’problemas” são problemas que resultam duma má preparação dos progenitores, assim como também pode ser da temperatura e de outros factores mais.

Quanto às mortes embrionárias BBBBaaaaa o problema ou problemas podem ser vários, mas escrever aqui sobre isto, dava para ficar com o dedo dorido…

8.
Escolhe os seus reprodutores baseando-se no fenótipo ou genótipo? 

R:Quando adquiro um exemplar sei o que quero e o que tenho MAIS MEDO È AO GENOTIPO. 

9.
As suas baterias de criação e voadeiras têm que dimensões? 

R: Vários tamanhos, dentro de dias ponho umas fotos no meu blog
As de criação são na maioria è de 1mt para 2 casais, tenho algumas de 45 cm.
As baterias de muda são de 1.40 x.60x.50 e são 4. 1.00x.50.50.
Mais tenho 2 voadeiras de 2.00x1.00x1.20 e mais 2 de 1.40x1.40x1.20.
Dentro de dias ponho umas fotos no Blog 

10.
Concorda que um canaril com condições é grande passo para o sucesso das criações e exposições? 

R: SEM DUVIDA.
Sem nunca esquecer a máxima de 1casal para 1 metro cúbico. 

11.
Como aconselha o alojamento dos canários? Interior ou exterior? Porquê? 

R: Interior. Tem a ver com as temperaturas. 

12.
Como é que se prepara para uma exposição? Com quanto tempo se começa a preparar, isolando aves etc..?

R: Lá vai o dedo. Faço 2 tipos de acasalamentos;
acasalamento de progenitores, isto é fazer reprodutores, fazer a linha
acasalamento de exposição destes em principio nascem as aves de exposição.
Não isolo aves com muita antecedência, tenho um sistema interessante e dentro de dias coloco um artigo no blog com umas fotos interessantes.

O ÚNICO PROCEDIMENTO É 30 DIAS ANTES DUMA EXPO VERIFICAR SE TEM REMIGES/RETRIZES QUEBRADAS PARA AS ARRANCAR E VIR NOVAS A TEMPO

13.
Sei que já criou canários de Porte, o porquê de ter deixado o porte e iniciar-se na cor? 

R: Já respondi .

14.
Tendo sido Juiz de canários de cor no Mundial, teve a oportunidade de visualizar como ninguém a beleza das aves expostas.

Existiu alguma raça que lhe tenha chamado a atenção pela proximidade do standard definido? 

R:Todas as aves com mais de 90, 91 pontos estão em conformidade com o standard. As classes como por exemplo os vermelho mosaico machos entre outras tem sempre excelentes concorrentes, tanto em quantidade e qualidade num bom certame 

15.
O que considera, acima de tudo mais importante neste hobby? 

R: O gosto pela ornitologia desportiva. 

16.
Todos nos temos algum hábito que não abdicamos na ornitologia, por vezes esse hábito nem tem uma influência directa no sucesso das nossas aves, mas não abdicamos dele de maneira alguma. Possui algum hábito que não abdique realmente? 

R: MUITO CUIDADO COM AS AVES ADQUIRIDAS. 

17.
Que tipo de mistura usa? Só alpista ou uma mistura preparada de acordo com as necessidades e época dos seus canários? 

R: Verselaga Ligt e em certas épocas junto um pouco de alpista. 

18.
Fornece germinado as suas aves? Sempre ou só na criação? 

R: Não, nunca

19.
Que tratamento considera fundamental fazer todos os anos? 

R: Não è para rir, mas o que mais me preocupa È O TRATAMENTO AO PIOLHO, pois se aparece na época de criação pode dar cabo da época.

Quanto aos “outros” dentro de dias ponho no meu blog, mas estou à espera de resultados para os editar. 

20.
O que suplementos considera fundamentais? Adicionados a papa ou agua? 

R: Prefiro a papa, mas alguns têm que ser na água.

Sobre o que uso não o digo abertamente SÓ PELA RAZÃO DE UM COLEGA UM DIA MUDAR PARA O MEU SISTEMA E SE SENTIR MAL…
Osso do choco, grite… 

21.
No meu ponto de vista o registo do plantel é um passo para o sucesso da evolução dos descendentes.
Que tem a dizer a cerca do registo do plantel desde o nascimento aos concursos? 

R:Tenho registos desde que comecei a criar, os registos só me interessam para acasalamentos. As aves de exposição não me interessam pois as aves de exposição boas por vezes não são as melhores para criar. 

22.
Muita gente critica a qualidade das aves Portuguesas.. Mas depois destes últimos resultados no Mundial penso que muitas mentes já mudaram..

Como Juiz, como classifica a ornitologia em Portugal? 

R: Desculpa, mas só digo o seguinte

Ignorância, estupidez, ou dor de “cotovelo”.

Em ascensão. 

23.
Recentemente legalizaram em Portugal a Fauna Europeia, apesar de o colega Joaquim não criar Fauna, deve ter uma opinião formalizada á cerca deste assunto.. Concorda com esta nova legislação? 

R: Não sou apreciador. Gosto de os ver em estado natural, selvagem
Duma coisa tenho a certeza, não vou na moda de criar fauna. 

24.
Qual o seu principal objectivo na Ornitologia em geral? 

R: Ter o prazer de criar, concorrer e conhecer muitas pessoas e que algumas delas agora são grandes Amigos, também se arranja umas inimizades mas è como em tudo na vida. 

25.
Após ter dado este enorme contributo, coloco-lhe uma última questão:
Qual é a regra de ouro para quem se inicia neste hobby? 

R:O que resulta nos outros não è regra de ouro para nós. Não ser pena por nota. 


Agradeço novamente este enorme contributo e espera que as suas criações lhe estejam a correr pelo melhor.   


Cumprimentos,
Nuno Carvalho 

Entrevistador: Nuno Carvalho
Entrevistado: Joaquim Cunha


quinta-feira, 4 de março de 2010

ENTREVISTA A JOSÉ FRANGOLHO - CRIADOR DE CANÁRIOS DE COR

Antes de mais queria dar-lhe os parabéns pelas várias medalhas, que ganhou no 58º Mundial de Ornitologia 2010 realizado em Matosinhos Portugal, passo a citar: Medalha de ouro e prata em Equipas de BRANCOS RECESSIVOS. Em individual medalha de prata e bronze em BRANCOS RECESSIVOS e queria agradecer novamente o facto de ter aceite responder a este questionário, o objectivo é divulgar o seu trabalho assim como ajudar os mais jovens nesta arte tão relaxante..
1. 
Para iniciar o que nos pode dizer acerca de si? (Breve apresentação).

R:O meu nome é José Frangolho e sou de Vila Real de Santo António e sou criador de canários de cor.

2.
O que sente um criador quando conquista tantas medalhas na competição mais importante deste Mundo Ornitológico, refiro-me ao Mundial disputado este ano em Portugal (Matosinhos)?

R:
Realmente essa é uma pergunta difícil de responder,pois eu podia estar aqui um dia inteiro e não conseguia expressar o que senti nesse momento,mas para alem de todos os outros sentimentos,um enorme orgulho nas minhas aves,e também de certa forma um reconhecimento de um longo trabalho de muitos anos.

3. 
Por vezes não conseguimos explicar certas coisas, mas de onde vem este seu gosto por aves, neste caso canários? E o porquê de serem canários de cor?

R:Eu desde que me lembro tenho ligação com animais,pois o meu pai é columbófilo á muitos anos e eu sempre gostei de animais.Eu desde os 9anos que tenho canários,mesmo não tendo canários de raça,mas sempre criei com alguns casais.

4. 
Mudando um pouco de assunto, que raças cria de momento?

R:
Neste momento estou a criar com Brancos Recessivos,amarelos int/nevados,negros amarelos int/nev,negros vermelhos mosaico,e este ano vou dar inicio aos vermelhos int/nev.

5. 
Com quantos casais criou a época passada, e quantos esta a pensar criar esta época que está quase a iniciar-se ou até já se pode ter iniciado?

R:
O ano passado criei com 30 casais,mas este ano aumentei até ao limite do meu pequeno canaril e vou criar com 45 casais.

6.
Para si, qual será o momento ideal para juntar os casais? Devemos apressar-nos?

R:
Eu penso que o momento ideal,para iniciar as criações é finais de Fevereiro,mas eu infelizmente tenho sempre que iniciar mais cedo, pois o meu canaril com o calor atinge temperaturas altíssimas e é impossível criar assim.Pois eu logo no inicio de Maio tenho de separar os meus casais.

7.
Escolhe os seus reprodutores baseando-se no fenótipo ou genótipo?

R:
Eu penso que para mim, o ideal é escolher baseando-se nas duas coisas isto sempre que possível.

8.
As suas baterias de criação e voadeiras têm que dimensões?

R:
 O alojamento dos meus casais é em gaiolas de 1metro dividido por dois casais,as minhas voadeiras tem 1,20por 80cm de altura,onde meus canários fazem a muda.

9.
Concorda que um canaril com condições é grande passo para o sucesso das criações e exposições?

R:
Eu realmente penso que um canaril com boas condições é muito favorável para uns bons resultados nas exposições e criações, mas felizmente para mim não é tudo.

10.
Como aconselha o alojamento dos canários? Interior ou exterior? Porquê?

R:
Eu penso que o alojamento interior é sempre mais favorável pois as condições são sempre mais favoráveis para a saúde dos nossos canários e principalmente para a altura das criações.

11.
Visto que cria canários brancos, a sua preparação para exposições deve ser minuciosa, pois qualquer descuido pode comprometer um ponto que seja.
Como é que se prepara para uma exposição? Com quanto tempo se começa a preparar, isolando aves etc..?

R:
Eu na verdade começo a cuidar dos meus canários para as exposições desde o momento que eles saltam do ninho.Penso que o cuidado com nossos canários não se deve restringir à altura das exposições. O mal de alguns criadores é só se preocuparem com todos os cuidados quando se aproxima a altura das exposições,e isso não está certo,isto sem querer dizer que eu penso de uma maneira melhor que os outros.Cada um trata de seus canários como bem entender.

12.
No seu blog vi que visitou o Mundial de Ornitologia 2010.
Qual a sua opinião sobre o Mundial organizado em Portugal?

R:
A organização do Mundial está de parabéns pois foi tudo muito bem organizado,com muita dedicação de todos os seus elementos,realmente estão de parabéns.Penso que o único problema foi o calor que se sentiu principalmente no sábado,dia de grande numero de visitantes.
Também a qualidade das aves era muito grande em todas as classes,o que também veio beneficiar a exposição.

13.
Já ganhou alguns prémios, alguns recentemente, de todos qual o deixou mais contente?

R:
Todos os prémios até agora conseguidos deixaram-me sempre muito contente e orgulhoso mas estes prémios do Mundial são realmente os mais importantes de todos.

14.
O que considera, acima de tudo mais importante neste hobby?

R:
O mais importante acima de tudo neste hobby são os bons momentos partilhados com os Amigos e todas as pessoas que conhecemos através dele,pois um criador vive para partilhar os bons momentos com os Amigos mas também os menos bons.

15.
Todos nos temos algum hábito que não abdicamos na ornitologia, por vezes esse hábito nem tem uma influência directa no sucesso das nossas aves, mas não abdicamos dele de maneira alguma. Possui algum hábito que não abdique realmente?

R:
Realmente que eu me lembro não.

16.
Que tipo de mistura usa? Só alpista ou uma mistura preparada de acordo com as necessidades dos seus canários?

R:
A mistura que eu uso é uma mistura preparada por mim que é adequada à altura das necessidades de meus canários. Na muda é que a mistura sofre maior alteração,mas de resto é quase sempre a mesma.

17.
Fornece germinado as suas aves?Todo o ano ou só na criação?

R:
Na criação todos os dias e na muda uma vez por semana pois no Verão o trabalho aumenta muito no Algarve e o tempo já não é tanto e por isso a dificuldade em preparar o germinado correctamente.Assim sendo prefiro não dar.

18.
Que tratamento considera fundamental fazer todos os anos?

R:
O tratamento que considero de mais importância é tratar as salmonelas pelos menos duas a três vezes por ano.

19.
O que suplementos considera fundamentais? Adicionados a papa ou agua?

R:
Os suplementos que considero de maior importância adicionar a papa são os probioticos mas também algum complexo vitaminico com grande quantidade de aminoácidos.Existem no mercado grande oferta de produtos de muitas marcas.

20.
No meu ponto de vista o registo do plantel é um passo para o sucesso da evolução dos descendentes.
Que tem a dizer a cerca do registo do plantel desde o nascimento aos concursos?

R:
O registo do plantel é realmente de grande importância pois dele podemos tirar algumas conclusões para as próximas épocas de criação.Perder o registo é quase como perder a identidade do nosso plantel.

21.
Muita gente critica a qualidade das aves Portuguesas.. Mas depois destes últimos resultados no Mundial penso que muitas mentes já mudaram..
Contudo como classifica a ornitologia em Portugal?

R:
Eu penso que a Ornitologia em Portugal está a crescer a passos largos e em muito boa direção.Só tenho é muita pena que as pessoas que dão menos importância aos nossos canários são quase sempre Portugueses,preferindo pagar mais e as vezes com menos qualidade,com tantas aves de qualidade Nacionais.

22.
Recentemente legalizaram em Portugal a Fauna Europeia, apesar de o amigo José não criar Fauna como recebeu esta noticia?

R:
Eu tenho à minha maneira de ver as coisas da seguinte maneira ,criar é preservar- Por isso porque não deixar criar?

23.
Qual o seu principal objectivo na Ornitologia em geral? 

R: O meu principal objectivo na ornitologia é poder trabalhar, para dar seguimento aos bons resultados.

24.
Qual a sua opinião acerca da selecção natural nos canários?

R: Em minha opinião prefiro selecciona-los eu pois assim terão aquilo que eu penso ser as características mais importantes,para a criação e para tirar Campeões.

25.
Após ter dado este enorme contributo, coloco-lhe uma última questão:
Qual é a regra de ouro para quem se inicia neste hobby?

R: O meu conselho para quem se está a iniciar é ter sempre em mente que os animais e principalmente os nossos canários são muito sensíveis e por isso todos os cuidados são poucos,ter sempre o nosso canaril limpo,pois a limpeza é uma das coisas mais importantes,para manter os nossos canários saudáveis.



Agradeço novamente este enorme contributo e espera que as suas criações lhe corram pelo melhor.

Entrevistador: Nuno Carvalho
Entrevistado: José Frangolho

Cumprimentos,
Nuno Carvalho