domingo, 1 de agosto de 2010

ENTREVISTA A CARLOS FAÍSCA - CRIADOR DE CANÁRIOS DE COR





Antes de mais queria agradecer ao amigo Carlos Faísca o facto de ter aceitado responder a este questionário, o objectivo é divulgar ainda mais todo o seu trabalho no mundo da Canaricultura. Esta será sem dúvida a entrevista mais difícil que tive para fazer, pois o amigo Faísca costuma colocar os seus pontos de vista no seu blog, mesmo assim penso que seja indispensável fazer tal entrevista.. Um muito obrigado por aceitar fazer a mesma.


1.
O amigo Carlos Faísca dispensa apresentação, pois neste mundo Ornitológico quase todos os criadores o conhecem, mesmo assim um breve apresentação será bem vinda. De onde vem este gosto pelo canários que o leva a dedicar tanto tempo as estas aves?

R: Sou um indivíduo normal, como tantos outros. A minha paixão desde míudo sempre foram os canários, como tal dedico quase todo o meu tempo livre a estas maravilhosas criaturas. Na medida do possível, tento sempre melhorar as suas condições ano após ano.





2.
Após ter sido campeão do Mundo em Castanho Pastel Vermelho Mosaico, qual a próxima meta que ambiciona alcançar?

R: Não tenho metas para alcançar, apenas pretendo formar um plantel de maneira que possa ombriar em qualquer exposição com os melhores. Sei que não é fácil conseguir o que pretendo, sabendo que para que isso um dia possa vir a acontecer, vou ter muito trabalho pela frente, e alguns anos de paciência, vamos ver se tenho capacidade para tal, porque falar é fácil, mas conseguir é muito mais difícil.


Este ano no Mundial de Matosinhos em Portugal consegui quase concretizar mais um dos meus sonhos, que é um dia conseguir obter num Mundial na mesma raça a dobradinha: medalha de ouro individual, e em equipas.
Fiz a dobradinha em castanhos opalas vermelho mosaico com um macho individual e uma equipa de fêmeas da mesma raça, mas com 2 medalhas de prata, e voltei a medalhar em castanho pastel vermelho mosaico desta vez com uma medalha de bronze, o que me deixou bastante contente, e me ajudou bastante a superar todos os problemas que me surgiram este ano durante as minhas criações.




3.
Que raças mais especificamente cria de momento? Está a pensar em adquirir novas raças no Futuro?

R: De momento sou criador da raça castanha, e o futuro a Deus pertence.

Não estou a pensar começar com raças novas, antes pelo contrário, talvez não no próximo ano, mas muito em breve vou acabar com uma das minhas, só não sei ainda qual. Aqui fica a raça e as mutações com que crio neste momento:

Castanho vermelho mosaico
Castanho amarelo mosaico
Castanho opala vermelho mosaico
Castanho opala amarelo mosaico
Castanho phaeo vermelho mosaico
Castanho phaeo amarelo mosaico
Castanho pastel vermelho mosaico



4.
Pelo que sei este ano criou com cerca de 145 casais, e acredito que não é nada fácil criar com tantos casais... Que conselhos dá a quem se queira aventurar a criar com tantos casais?

R: Quem sou eu para dar conselhos a alguém, posso transmitir apenas o meu ponto de vista, e cada um interpreta como achar ser melhor para si, porque cada caso é um caso.

No meu caso que trabalho uma média de 8h por dia, foi uma loucura passar de 80 casais, para 145 casais de um ano para o outro, embora tenha instalações para tal, o problema é que o meu tempo livre é exactamente o mesmo. A sorte é que a minha mulher me dá um apoio, prepara-me o germinado, e lava-me bebedouros e comedouros, senão não dava conta do recado.

Quem pensar criar com esta quantidade de casais, ou outra parecida e quer ter sucesso na sua criação, necessita de ter mais alguém com bastante tempo livre que o possa ajudar. Senão o melhor é nem sequer arriscar.



5.
Qual o principal motivo por criar a raça castanha em quase todas as mutações?

R: Quando comecei como quase todos os criadores iniciei-me com lipocromos, mas depressa me apercebi que a minha paixão eram os melânicos, com factor mosaico.


Gosto praticamente de quase todas as raças de canários melânicos c/ o factor mosaico. Depois de acabar com os lipocromos, adquiri a raça ágata, a castanha, e a alguns Isabeis (todos homozigóticos) mais conhecidos por clássicos, e algumas das suas mutações: opala, pastel, topázio, e satiné, tanto c/factor, como sem factor.

Cheguei á conclusão que a raça castanha é mais robusta, de mais confiança, fácil de trabalhar , e de longe a melhor reprodutora.

A seguir aos lipocromos talvez a melhor opção para quem se vai iniciar neste hobbie.

Depois de vários anos a criar com ambas as raças, e de ter obtido prémios com todas elas, acabei por optar pela raça castanha, á qual dedico todo o meu tempo, sabendo que não podia ter sucesso a nível Internacional em todas elas, penso que fiz a melhor opção.

É por isso que recomendo que se iniciem com poucas raças, e se puderem com 3 casais da mesma raça para terem sucesso a curto prazo.

6.
Uma questão sobre o Mundial de Ornitologia impõem-se nesta entrevista, pois é um criador assíduo tanto em Mundiais com Internacionais em Portugal e no estrangeiro, participando nas competições mais importantes da área.. Como classificou a Organização do nosso Mundial?

R: Não tenho participado assim tanto como pensam, nem como o deveria ter feito, também por estar longe, e não ter sido incentivado, mas espero a partir de agora não só participar, como também visitar.
Em Portugal participei apenas em 3 Nacionais e 2 Internacionais. Estive no Nacional de Beja em 2005, onde obtive 9 prémios.
No Nacional de Famalicão em 2007, onde obtive 13 prémios, e no Nacional de Paços de Ferreira em 2008, onde obtive 20 prémios.
Participei no Internacional Atlântico de 2008 na cidade de Caminha, tendo obtido 27 prémios, e no Internacional Atlântico de 2009, na cidade de Barcelos obtendo 26 prémios, em todos eles obtive mais medalhas de ouro.
Participei pela 1ªvez num Mundial em 2008 na Bélgica, e no ano seguinte mandei 3 equipas ao Mundial de Itália, mas este ano foi a 1ªvez que visitei um Mundial.
O ano passado participei e visitei pela minha 1ªvez, o Internacional de Reggio Emilia em Itália, e este ano estou a pensar visita-lo novamente ( já tenho os bilhetes de avião e o hotel reservados), vou com mais 3 amigos.
A organização do Mundial de Matosinhos, no meu parecer esteve bastante boa. Em todas as provas que participei no Norte, tenho reparado que as organizações são de um enorme profissionalismo.



7.
Agora fugindo um pouco ao assunto, e nos focalizarmos nas criações..

Este ano apesar de ter tido um percalço no inicio das suas criações conseguir dar a volta por cima conseguido criar com sucesso bastantes aves. O que é fundamental para levantar a cabeça perante grandes desilusões?

R: Acreditarmos em nós próprios, ter paixão, e principalmente termos um plantel que possamos contar com ele. E sobretudo procurar a sorte em todos os momentos, mesmo naqueles em que as lágrimas nos caiam, sem sabermos o que fazer, nem como dar a volta a uma situação praticamente perdida.
Nunca desistam dos vossos sonhos.

8.
Como organiza os seus acasalamentos: Acasalamentos de "trabalho" e concurso? Ou apenas concurso?

R: Escolho as minhas fêmeas assim que acaba a muda, os machos tenho tempo. Acasalo como penso ser a melhor opção dentro dos meus limites, mas por norma faço sempre algumas alterações durante as criações.

9.
Como escolhe os seus reprodutores baseando-se no fenótipo ou genótipo?

R: Depende das situações, mas por norma escolho primeiro aqueles que á prior me vão dar mais garantias nas exposições, sem olhar aos registos.
Só depois de os ter escolhido é que aponto os nº das anilhas e vejo de quem são filhos.
Na altura de escolher os meus reprodutores tenho sempre em conta o genotipo para não haver enganos.




Agora falando do alojamento das nossas aves:

10.
As suas baterias de criação e voadeiras têm que dimensões?

R: Os viveiros 60 cm de comp x 33 cm de fundo x 30 cm alt.
As minhas voadeiras tem 120 cm x 50 cm x 50 cm.



11.
Concorda que um canaril com condições é grande passo para o sucesso das criações e exposições?

R: Ajuda muito.



12.
Como aconselha o alojamento dos canários? Interior ou exterior? Porquê?

R: Interior sem dúvida.
Devido á grande amplitude térmica em algumas regiões, sendo mais fácil de ultrapassar, ou minimizar todos os problemas que possam surgir durante e após as criações.



13.
Como é que se prepara para uma exposição? Com quanto tempo se começa a preparar, isolando aves etc..?

R: Não tenho regra para preparar os meus canários para expor.
Este ano como tenho férias na 1ªquinzena de Setembro vou lavar e desinfectar o meu canaril de criação, para logo de seguida começar a separar individualmente nos meus 145 viveiros, os canários que eu achar fazerem alguma diferença dos outros, para os preparar para as 3 exposições que penso participar este ano.
Nacional de Portugal, Internacional de Reggio Emilia em Itália e o Mundial de Tours em França.

14.
O que considera, acima de tudo mais importante neste hobby?

R: Gostar muito disto, para conseguirmos dar a volta a N de situações que nos vão surgindo no nosso dia a dia de criadores. O tempo que temos disponível para os nossos canários.

15.
Usa nos acasalamentos casais certos, ou utiliza um macho para várias fêmeas?

R: De uma maneira e de outra, depende das situações, e dos canários que ficaram em casa para a reprodução. O ideal são os casais certos, mas por vezes nem sempre isso é possível.


Falando agora no ramo da alimentação e tratamentos:

16.
Que tipo de mistura usa? Só alpista ou uma mistura preparada de acordo com as necessidades e época dos seus canários?

R: Dou só alpista todo o ano. Quanto aos tratamentos, tenho de me adaptar com as diferentes situações que me vão aparecendo no meu dia a dia, e tentar melhorar ano após anos, e de preferência não cometer os mesmos erros de anos anteriores.

17.
Fornece germinado as suas aves? Sempre ou só na criação?

R: Todo o ano.

18.
Que tratamento considera fundamental fazer todos os anos? Ou melhor ainda, será necessário fazer um tratamento anual, mesmo sem doença aparente?

R: Já não sei que vos diga, se é melhor fazer um tratamento preventivo, ou apenas actuarmos depois de detectarmos algum problema.
Penso que temos sim de fazer uma quarentena a todas as aves adquiridas e que tenhamos levado a concorrer.
Quase todos os tratamentos são fundamentais, mas não podemos dar tudo o que nos dizem aos nossos canários. O ideal seria uns meses antes de acasalar levar alguns dos nossos canários a analisar a um veterinário de confiança, para ficarmos a saber qual, ou quais os problemas que temos nos nossos canários, para assim os podermos medicar convenientemente.

19.
Que suplementos considera fundamentais? Adicionados a papa ou agua?

R: Um bom probiotico e calcio.
Eu por norma misturo quase tudo na papa, mas também dou vinagre de sidra na água.

20.
No meu ponto de vista o registo do plantel é um passo para o sucesso da evolução dos descendentes.
Que tem a dizer a cerca do registo do plantel desde o nascimento aos concursos para ter em conta os Futuros acasalamentos?

R:Tudo é importante, convem registar-mos o melhor possível os nossos canários para a continuação do nosso plantel, e para que no futuro possamos tirar duvidas sobre a descendência deste ou daquele canário que queremos ficar para a nossa reprodução.

21.
Muita gente critica a qualidade das aves Portuguesas.. Mas depois destes últimos resultados no Mundial penso que muitas mentes já mudaram..

Como classifica a ornitologia em Portugal?

R: A ornitologia portuguesa melhorou bastante nos últimos anos, mas ainda temos algumas lacunas. Ainda temos muito que melhorar e investir, tanto a nível de instalações, como de aves, assim como os nossos conhecimentos gerais sobre este hobbie.
Os clubes tem de apoiar mais os sócios, principalmente todos aqueles que se estão a iniciar.

22.
Recentemente legalizaram em Portugal a Fauna Europeia, sei que á muitos anos atrás foi criador de Fauna (híbridos), e deve ter uma opinião formalizada á cerca deste assunto. Concorda com esta nova legislação? Gostaria de ser criador se algumas coisas mudassem?

R: Não estou bem a par de todos os pormenores, mas concordo com a legalização, mas não com tanta burocracia, nem com os valores necessários para estar legal.
Só devia de criar Fauna, quem tivesse condições para isso.
Se um dia tiver espaço, ainda tenho esperanças de um dia vir a criar pintassilgos de mutação.

23.
Qual o seu principal objectivo na Ornitologia em geral?

R: Ter qualidade suficiente no meu plantel para poder participar todos os anos nos melhores eventos, conseguindo também obter algum prémio.



24.
Após ter dado este enorme contributo, coloco-lhe uma última questão:

Qual é a regra de ouro para quem se inicia neste hobby?

R: Gostar, ter algum espaço, tempo livre, visitar foruns, e visitar alguns blogs de criadores que tem alguma experiencia de criação.
Devem começar no mínimo com 2 casais, e de preferência da mesma raça. É preferível começarem com poucos e de alguma qualidade, do que com muitos e de pouca qualidade, porque dão o mesmo trabalho e despesa.


Agradeço novamente este enorme contributo e desejo-lhe muita sorte para as exposições.. Boa sorte..

Entrevistador: Nuno Carvalho

Entrevistado: Carlos Faísca

Fotografia: Carlos Faísca

Cumprimentos,
Nuno Carvalho

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